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Quem vive dentro da lama? Um Safari para a Ria de Aveiro Saltmarsh

Centro de Estudos Ambientais e Marinhos (CESAM), 22.08.2022

Neste verão, 65 escolares de 3 a 10 anos do Centro Escolar de Vale de Ílhavo (Portugal) visitaram os lodaçais da região de Aveiro. A atividade atrai a consciência para os tesouros naturais escondidos neste ecossistema único, e para implantar um interesse na STEM na próxima geração, que nos conduzirá no futuro. A atividade, orientada por uma equipe científica do Centro de Estudos Ambientais e Marinhos (CESAM), é uma atividade endossada da Década dos Oceanos.

Os lodaçais são ecossistemas únicos que abrigam uma diversidade de organismos. Entre eles estão as algas microscópicas pouco visíveis e amplamente desconhecidas, chamadas diatomáceas. Elas utilizam a luz solar e o dióxido de carbono da atmosfera para produzir biomassa e oxigênio. "As diatomáceas produzem pequenas conchas de vidro que podem interagir com a luz solar", explica Vera Cardoso e Alexandra Bastos, ambas parte da equipe científica e estudantes de mestrado que trabalham no laboratório. "Colhemos essas conchas e as estudamos com microscópios óticos". O laboratório investiga as propriedades ópticas e fotônicas das diatomáceas, e como as diatomáceas interagem com seu ambiente e como elas lidam com os fatores de mudança.

As algas diatomáceas são responsáveis por uma grande quantidade do oxigênio que respiramos.

No início da manhã, as 65 crianças da escola e seus professores foram transportados com um ônibus para o pântano de Aveiro, onde quatro cientistas guiaram as crianças para o lodaçal. Equipados com botas de borracha, pás e baldes, as crianças desfrutaram de um dia de sol e coletaram amostras do sedimento lamacento e fedorento. Então, eles encontraram alguns tesouros excitantes? Lá na escola, a lama foi analisada com um microscópio ótico, revelando os habitantes brilhantes e móveis - as pequenas diatomáceas. Inspirados por esta experiência, as crianças então formaram suas próprias diatomáceas com massa para brincar - o que eles orgulhosamente demonstraram aos pais.

Os organizadores Johannes W. Goessling e Silja Frankenbach ficaram impressionados com sua curiosidade e criatividade. "Esperamos que eles se lembrem de nosso Safari para o saltmarsh por um tempo. Esta é a casa deles, seu ecossistema. Quando crescerem, será tarefa deles cuidar de tudo isso". A atividade chama a atenção para a necessidade urgente de mitigar a mudança climática global. A Terra está mudando em um ritmo de tirar o fôlego, e serão as gerações mais jovens que terão que lidar com isso.